Custo de aquisição de cliente: como calcular o CAC da loja
Saber quanto custa trazer cada cliente novo muda a forma de investir em anúncios. Aprenda a calcular o CAC, compará-lo ao LTV e decidir onde colocar o dinheiro.
Neste artigo
- O que é custo de aquisição de cliente (CAC)
- Exemplo prático: calculando o CAC passo a passo
- CAC por canal: onde o cliente sai mais barato
- CAC e LTV: a comparação que decide o investimento
- Como montar a planilha mensal do CAC
- Decisões que você toma a partir do CAC
- Como reduzir o CAC sem cortar vendas
- Erros comuns ao calcular o CAC
- Como o Hotel das Lojas ajuda a medir e reduzir o CAC
- Conclusão: invista sabendo quanto custa cada cliente
Você investiu R$ 3.000 em anúncios no mês passado e a loja vendeu bem. Mas foi um bom negócio? Sem saber quanto custou cada cliente novo, a resposta é um chute. O custo de aquisição de cliente, conhecido pela sigla CAC, é o número que transforma essa dúvida em decisão: mostra quanto você paga, em média, para que uma pessoa compre pela primeira vez na sua loja.
Muitos lojistas acompanham faturamento, número de pedidos e até o retorno dos anúncios, mas não olham o CAC. O resultado é previsível: aumentam o investimento num canal que parece vender bem, sem perceber que a maioria das vendas vem de clientes antigos que comprariam de qualquer jeito. Ou cortam um canal que parecia caro, mas trazia os clientes que mais voltam.
Neste artigo você vai aprender a fórmula do CAC, calcular com exemplos práticos, separar o custo por canal, comparar com o LTV, que é o valor do cliente ao longo do tempo, e usar esses números para decidir onde colocar o próximo real de marketing.
O que é custo de aquisição de cliente (CAC)
CAC é o valor médio investido para conquistar um cliente novo. A palavra-chave aqui é novo: quem já comprou antes não entra na conta, porque o esforço para trazê-lo de volta é outro e tem outro custo.
O CAC responde a uma pergunta simples: se eu quiser cem clientes novos no próximo mês, quanto vou precisar investir? Com essa resposta, o marketing deixa de ser despesa misteriosa e passa a ser investimento com previsão.
A fórmula do CAC e o que entra na conta
A fórmula é direta:
CAC = investimento total em aquisição no período ÷ número de clientes novos no mesmo período
A dificuldade não está na divisão, e sim em decidir o que entra no investimento. Para uma loja virtual pequena ou média, considere:
- Anúncios pagos: Meta Ads, Google Ads, TikTok Ads e outros.
- Influenciadores e parcerias: cachês, permutas e produtos enviados.
- Brindes e descontos de primeira compra: o cupom de boas-vindas é custo de aquisição.
- Ferramentas de marketing: e-mail marketing, design, agendamento de posts.
- Pessoas: agência, freelancer ou a parte do salário de quem cuida do marketing.
Em lojas muito pequenas, é comum calcular dois números: o CAC de mídia, só com anúncios, e o CAC completo, com tudo. O primeiro ajuda a otimizar campanhas; o segundo mostra a verdade sobre o negócio.
Exemplo prático: calculando o CAC passo a passo
Imagine uma loja de skincare em um mês comum. Os números são ilustrativos:
- Some os investimentos: R$ 2.400 em Meta Ads, R$ 800 em Google Ads, R$ 600 em produtos enviados a influenciadoras e R$ 400 de uma freelancer de design. Total: R$ 4.200.
- Conte os clientes novos: no mês, a loja teve 210 pedidos. Desses, 90 foram de clientes que nunca tinham comprado. Clientes novos: 90.
- Divida: R$ 4.200 ÷ 90 = R$ 46,67 de CAC completo.
- Calcule o CAC de mídia: R$ 3.200 ÷ 90 = R$ 35,56.
- Compare com o ticket: se o ticket médio da primeira compra é R$ 140 e a margem de contribuição é de 40%, a primeira compra gera R$ 56 de margem. A loja quase empata com o CAC completo já na primeira venda.
Repare que, se a loja tivesse dividido R$ 4.200 por todos os 210 pedidos, teria encontrado R$ 20 e concluído que o marketing estava barato. É exatamente essa confusão que leva a decisões erradas.
CAC por canal: onde o cliente sai mais barato
O CAC médio esconde diferenças enormes entre canais. Para enxergá-las, você precisa saber de onde veio cada cliente novo. O Google Analytics 4 com origem do tráfego e os pixels de cada rede ajudam nessa atribuição, e o tutorial de analytics e scripts na loja mostra como instalar tudo.
Veja como ficaria a mesma loja separando por canal:
| Canal | Investimento | Clientes novos | CAC |
|---|---|---|---|
| Meta Ads | R$ 2.400 | 48 | R$ 50,00 |
| Google Ads | R$ 800 | 22 | R$ 36,36 |
| Influenciadoras | R$ 600 | 8 | R$ 75,00 |
| Orgânico (blog, Instagram, indicação) | R$ 400 | 12 | R$ 33,33 |
A leitura apressada diria para cortar as influenciadoras. Mas antes é preciso olhar quanto esses clientes gastam depois. E é aí que entra o LTV.
CAC e LTV: a comparação que decide o investimento
LTV, ou lifetime value, é o lucro que um cliente gera durante todo o relacionamento com a loja. Um cliente que compra uma vez e some vale pouco; um que compra a cada dois meses vale muito.
A relação LTV/CAC
Divida o LTV pelo CAC. Uma referência usada por muitos negócios é buscar uma relação de pelo menos 3 para 1: cada real investido em aquisição volta como três reais de margem ao longo do tempo. Abaixo de 1, a loja perde dinheiro a cada cliente novo. Entre 1 e 3, o negócio respira, mas com pouca folga.
Voltando ao exemplo
Suponha que as clientes que vieram por influenciadoras compram, em média, quatro vezes por ano, enquanto as que vieram de Meta Ads compram duas vezes. Com margem de R$ 56 por compra, o LTV de um ano das primeiras é R$ 224 e o das segundas, R$ 112. A relação LTV/CAC das influenciadoras fica em 3 para 1; a do Meta Ads, em 2,2 para 1. A conclusão se inverte: o canal que parecia caro é o mais rentável.
Payback: em quanto tempo o cliente se paga
Além da relação LTV/CAC, olhe o payback: quantas compras, ou quantos meses, o cliente leva para devolver o que custou. Se o CAC é R$ 50 e cada compra gera R$ 28 de margem, o cliente se paga na segunda compra. Se ele costuma recomprar em 60 dias, o payback é de cerca de dois meses.
Payback curto é importante para quem tem caixa apertado. Uma loja que precisa esperar um ano para recuperar o investimento em cada cliente novo vai sofrer para crescer, mesmo com LTV alto.
Como montar a planilha mensal do CAC
Não é preciso software caro para acompanhar o CAC. Uma planilha simples, atualizada no primeiro dia útil de cada mês, resolve. Crie uma aba de investimentos com uma linha por gasto: data, canal, descrição e valor. Inclua tudo, até o frete dos produtos enviados para influenciadoras e o valor dos cupons de boas-vindas usados. Em outra aba, cole a lista de clientes do mês exportada do painel, com a data da primeira compra e a origem, quando houver. Marque como novos apenas os que fizeram o primeiro pedido dentro do mês. Uma terceira aba junta tudo: investimento por canal, clientes novos por canal, CAC por canal e o CAC geral. Acrescente uma coluna com a média dos últimos três meses, porque um mês isolado pode enganar, seja por uma data comemorativa, seja por uma campanha que estourou. Com seis meses de histórico, você passa a enxergar tendências, como um canal que fica mais caro a cada mês, e consegue agir antes que ele comprometa a margem.
Decisões que você toma a partir do CAC
Com o CAC calculado, mensal e por canal, várias decisões ficam mais claras:
- Aumentar o investimento nos canais com melhor relação LTV/CAC, aos poucos, observando se o CAC sobe muito com a escala.
- Rever ou pausar campanhas com CAC acima do lucro que o cliente gera em um ano.
- Definir o teto de lance nos anúncios: se o CAC máximo aceitável é R$ 60, a campanha precisa trabalhar abaixo disso.
- Calibrar o cupom de primeira compra: um desconto de 15% em um ticket de R$ 140 custa R$ 21 por cliente. Esse valor precisa caber no CAC.
- Planejar o crescimento: com CAC de R$ 47 e meta de 150 clientes novos, o orçamento de aquisição precisa ser de cerca de R$ 7.000.
Dica de especialista: calcule o CAC por coorte, isto é, por mês de entrada do cliente. Assim você vê se os clientes conquistados em uma promoção agressiva voltam a comprar ou se eram apenas caçadores de desconto.
Como reduzir o CAC sem cortar vendas
Cortar anúncios reduz o CAC no curto prazo, mas também reduz os clientes novos. As formas mais saudáveis atacam a eficiência:
- Melhore a conversão da loja: páginas de produto completas, fotos boas, frete visível e checkout simples fazem o mesmo tráfego gerar mais clientes. Um tema bem resolvido para o seu nicho, como o tema Glow para skincare e beleza, já entrega essa base pronta.
- Invista em canais orgânicos: o blog da loja para atrair visitas responde dúvidas que as pessoas buscam no Google e traz clientes sem leilão de clique.
- Use remarketing para quem visitou e não comprou. Com o Google Ads com conversões e remarketing e o Meta Pixel instalado na loja, você fala de novo com quem já demonstrou interesse.
- Recupere carrinhos abandonados: é cliente novo que quase comprou, a custo baixíssimo.
- Estimule indicações: clientes satisfeitos trazem outros, e o custo é só o incentivo.
Erros comuns ao calcular o CAC
- Contar todos os pedidos em vez de apenas os clientes novos.
- Esquecer custos indiretos, como produtos enviados a influenciadores e cupons de boas-vindas.
- Comparar períodos diferentes, como investimento de um mês e clientes de outro.
- Olhar só o CAC, sem considerar quanto o cliente vale depois.
- Calcular uma vez e esquecer: o CAC muda com a sazonalidade, a concorrência e o preço dos anúncios.
Como o Hotel das Lojas ajuda a medir e reduzir o CAC
Calcular o CAC exige dados confiáveis de vendas e de clientes. No Hotel das Lojas, você encontra essa base no próprio painel:
- Relatórios de vendas por período, com faturamento, pedidos e ticket médio, como mostra o guia de relatórios de vendas.
- Clientes com histórico, etiquetas e segmentos, para separar quem comprou pela primeira vez de quem voltou.
- Exportação de planilhas de pedidos e clientes em CSV, para cruzar com os gastos de marketing. Veja como em exportar planilhas de pedidos e clientes.
- Integrações de medição com Google Analytics, Meta Pixel, Google Ads, TikTok Pixel e o Google Tag Manager para organizar as tags.
- Ferramentas que aumentam o LTV, como cashback, cupons, newsletter e avaliações, que melhoram a relação entre o valor do cliente e o custo de conquistá-lo.
E como não há comissão sobre as vendas, a margem que entra na conta do LTV é a sua, sem desconto da plataforma a cada pedido.
Conclusão: invista sabendo quanto custa cada cliente
O custo de aquisição de cliente tira o marketing do campo da intuição. Some o que você investe para atrair clientes, divida pelos clientes novos, separe por canal e compare com o valor que esses clientes geram ao longo do tempo. Com isso, você aumenta o investimento onde ele dá retorno, corrige o que está caro e cresce com segurança.
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Perguntas frequentes
Como calcular o custo de aquisição de cliente?
Some tudo o que você gastou para conquistar clientes em um período, como anúncios, influenciadores, brindes e ferramentas de marketing, e divida pelo número de clientes novos do mesmo período. O resultado é quanto custou, em média, cada cliente novo.
Qual é um CAC bom para loja virtual?
Não existe um número universal. Um CAC é saudável quando é bem menor do que o lucro que o cliente gera ao longo do relacionamento com a loja. Uma referência comum é o valor do cliente ser pelo menos três vezes maior que o custo para conquistá-lo.
Qual a diferença entre CAC e custo por venda?
O custo por venda divide o investimento por todos os pedidos, inclusive os de clientes antigos. O CAC considera só os clientes novos. Misturar os dois faz o marketing parecer mais barato do que realmente é para trazer gente nova.
Como reduzir o CAC da minha loja?
Melhore a conversão da loja, invista em canais orgânicos como conteúdo e SEO, use o remarketing para quem já visitou e incentive indicações. Cortar anúncios sem melhorar a loja costuma reduzir o CAC e também as vendas.
Escrito por
CEO Hotel das Lojas
Marcelo Falcão é CEO do Hotel das Lojas, plataforma brasileira de lojas virtuais. Acompanha de perto o dia a dia de milhares de lojistas e escreve sobre como criar, gerenciar e fazer crescer um e-commerce: da escolha do tema à primeira venda, de pagamentos e frete a marketing, SEO e marketplaces.
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