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Gestão de e-commerce

Curva ABC de produtos: como identificar o que mais dá lucro

Nem todo produto merece o mesmo espaço no estoque e na vitrine. Aprenda a montar a curva ABC pelo lucro e use o resultado para decidir compras, preços e destaques.

Dono de empório confere produtos nas prateleiras de madeira segurando um tablet
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Neste artigo
  1. O que é a curva ABC de produtos
  2. Curva ABC por faturamento ou por lucro?
  3. Como montar a curva ABC passo a passo
  4. Exemplo prático com dez produtos
  5. Decisões de compra baseadas na curva ABC
  6. Decisões de exposição e preço
  7. Curva ABC combinada com o giro do estoque
  8. Erros comuns ao usar a curva ABC
  9. Como o Hotel das Lojas ajuda a aplicar a curva ABC
  10. Conclusão: foco no que sustenta a loja

A curva ABC de produtos é uma das ferramentas mais simples e mais reveladoras da gestão de uma loja virtual. Todo lojista tem uma intuição sobre quais itens vendem bem, mas a intuição costuma falhar em um ponto importante: vender muito não é o mesmo que dar lucro. Às vezes, o produto mais popular da loja é justamente o que deixa menos dinheiro, enquanto um item discreto, com margem alta, sustenta o mês sem que ninguém perceba.

Aqui no Hotel das Lojas vemos esse cenário com frequência. Um lojista de acessórios femininos tinha certeza de que os brincos de entrada eram o carro-chefe. Quando fez a curva ABC pelo lucro, descobriu que as bolsas de couro, que vendiam um terço da quantidade, eram responsáveis pela maior parte da margem. Mudou o destaque da página inicial, ajustou as compras e o resultado do mês seguinte melhorou sem nenhum investimento extra em anúncios.

Neste guia você vai montar a sua curva ABC passo a passo, com um exemplo numérico de dez produtos, entender a diferença entre a curva por faturamento e por lucro e, principalmente, aprender a transformar a classificação em decisões de compra, preço e exposição na vitrine.

O que é a curva ABC de produtos

A curva ABC organiza os produtos em três grupos, do mais importante para o menos importante, de acordo com um critério, geralmente faturamento ou lucro. A ideia vem de uma observação antiga do comércio: poucos itens concentram a maior parte do resultado, e muitos itens contribuem com pouco.

  • Classe A: poucos produtos que, somados, respondem por cerca de 70% a 80% do critério escolhido. São os pilares da loja.
  • Classe B: um grupo intermediário, que responde por algo entre 15% e 20%.
  • Classe C: a maioria dos produtos, que juntos somam os 5% a 10% restantes.

Esses cortes são uma convenção, não uma lei. Algumas lojas usam 80/15/5, outras 70/20/10. O importante é escolher um padrão e manter ao longo do tempo para poder comparar.

Curva ABC por faturamento ou por lucro?

A versão mais comum da curva ABC usa o faturamento: quanto cada produto vendeu em reais. É fácil de calcular e mostra quais itens movimentam a loja. Mas, para a pergunta deste artigo, o que mais dá lucro, a curva certa é a da margem de contribuição.

A margem de contribuição de um produto é o preço de venda menos tudo o que aquela venda custou: custo do produto, impostos, taxa de pagamento, parte do frete subsidiado e embalagem. Multiplicada pela quantidade vendida no período, mostra quanto aquele item realmente colocou no caixa para pagar as despesas fixas e gerar lucro.

Fazer as duas curvas e compará-las é ainda melhor. Produtos que são A em faturamento e C em lucro estão vendendo muito e deixando pouco: precisam de revisão de preço, custo ou frete. Produtos que são C em faturamento e A em lucro merecem mais destaque, porque cada venda vale muito.

Como montar a curva ABC passo a passo

Você precisa de uma planilha e dos dados de vendas de um período, de preferência três a seis meses, para suavizar oscilações.

  1. Exporte as vendas por produto: quantidade vendida e faturamento de cada item no período.
  2. Inclua o custo unitário de cada produto, tirado do cadastro ou das notas de compra.
  3. Calcule a margem de contribuição unitária: preço médio de venda menos custo, impostos, taxas e custos variáveis médios.
  4. Calcule a margem total: margem unitária multiplicada pela quantidade vendida.
  5. Ordene do maior para o menor pela margem total.
  6. Calcule o percentual de cada produto sobre a margem total da loja.
  7. Calcule o percentual acumulado, somando linha a linha.
  8. Classifique: até 80% acumulado é A, de 80% a 95% é B, acima de 95% é C.
Dica de especialista: se você vende produtos com variações, faça a curva por produto principal primeiro. Depois, dentro dos itens A, olhe as variações. Às vezes, uma única cor ou tamanho é que carrega o resultado, e isso muda o pedido de compra.

Exemplo prático com dez produtos

Veja um exemplo fictício de um empório online com dez produtos em um trimestre. Os valores são ilustrativos.

ProdutoQtd. vendidaMargem unitária (R$)Margem total (R$)% acumuladoClasse
Azeite extravirgem 500 ml310288.68033%A
Cesta de presente média85726.12056%A
Café especial 250 g420114.62074%A
Queijo curado 300 g140152.10082%B
Geleia artesanal21071.47088%B
Mel orgânico95121.14092%B
Granola 400 g180472095%B
Chá a granel60954097%C
Biscoito amanteigado230246099%C
Sal temperado705350100%C

Três produtos, 30% do catálogo, geram 74% da margem. Repare em dois detalhes. O café especial é o item mais vendido em quantidade, mas tem margem unitária baixa: está em A pelo volume, e qualquer aumento de custo o derruba. Já o biscoito amanteigado vende muito, 230 unidades, e quase não deixa dinheiro: é um forte candidato a revisão de preço ou a virar item de kit.

Decisões de compra baseadas na curva ABC

A curva ABC é, antes de tudo, uma ferramenta de compras. Ela mostra onde o dinheiro do estoque deve estar.

Classe A: nunca pode faltar

Ruptura em um item A é prejuízo direto. Defina estoque mínimo mais folgado, acompanhe o giro semanalmente e negocie com o fornecedor prazos e condições melhores, já que esses itens justificam volume. Ter um segundo fornecedor para os itens A também é uma boa proteção.

Classe B: equilíbrio

Reposição regular, com estoque mínimo moderado. Observe quais itens B estão crescendo: alguns podem subir para A com um pouco mais de destaque.

Classe C: cuidado com o capital parado

Compre em quantidades menores, de preferência sob demanda. Avalie se o produto ajuda a compor o mix, por exemplo um sal temperado que acompanha a cesta, ou se só ocupa espaço. Itens C sem função estratégica são candidatos a sair do catálogo depois que o estoque acabar.

Decisões de exposição e preço

A vitrine da loja virtual é um espaço limitado: banner principal, primeiras linhas da página inicial, topo das categorias, e-mails e posts. A curva ABC ajuda a decidir quem ocupa esse espaço.

  • Destaque os itens A de alta margem unitária na página inicial e nos anúncios, porque cada clique que vira venda vale mais.
  • Use itens A de alto volume como porta de entrada, mas garanta que levem a produtos complementares com margem melhor.
  • Transforme itens C em kits com itens A: o biscoito vira parte de uma cesta de café da manhã, com preço próprio e margem maior.
  • Revise preços de itens com volume alto e margem baixa: um pequeno aumento em um produto que vende muito tem efeito grande no resultado.
  • Use promoções para girar a classe C, como leve três e pague dois, em vez de dar desconto em itens A que já vendem bem.

Curva ABC combinada com o giro do estoque

A curva ABC diz quanto cada produto contribui; o giro diz quanto tempo o dinheiro fica parado nele. Cruzar as duas informações deixa as decisões de compra ainda mais precisas. O giro pode ser calculado de forma simples: quantidade vendida no período dividida pelo estoque médio do mesmo período. Quanto maior o número, mais rápido o produto sai da prateleira.

  • A com giro alto: o cenário ideal. Proteja o estoque, negocie volume e mantenha em destaque.
  • A com giro baixo: produto que deixa boa margem, mas prende muito capital. Reduza o lote de compra e aumente a frequência de reposição.
  • C com giro alto: vende bastante e deixa pouco. Revise preço e custo, ou use como isca para kits e compre junto.
  • C com giro baixo: o pior dos mundos. Faça uma ação de queima com desconto progressivo e não recompre sem um motivo claro.

No exemplo do empório, a cesta de presente média era A, mas tinha giro baixo fora das datas comemorativas. O lojista passou a montar as cestas sob encomenda, com os itens que já tinha no estoque, em vez de deixar dezenas de cestas prontas paradas. A margem se manteve e o capital ficou livre para reforçar o azeite e o café, que giravam toda semana.

Esse cruzamento também ajuda a conversar com o fornecedor. Com os números na mão, fica mais fácil pedir prazo maior para os itens A de giro lento e desconto por volume para os itens A de giro rápido. A curva ABC deixa de ser um relatório e passa a ser um argumento de negociação.

Erros comuns ao usar a curva ABC

  • Fazer só por faturamento: esconde os produtos que vendem muito e lucram pouco.
  • Usar um período curto demais: uma semana de promoção distorce tudo.
  • Ignorar a sazonalidade: um item C em março pode ser A em dezembro. Compare períodos equivalentes.
  • Cortar itens C sem pensar no mix: alguns existem para completar a compra ou atrair um público específico.
  • Fazer uma vez e esquecer: a curva muda conforme preços, custos e preferências.
  • Não incluir custos variáveis: sem frete, taxas e embalagem, a margem parece maior do que é.

Como o Hotel das Lojas ajuda a aplicar a curva ABC

A curva ABC começa por dados confiáveis, e no Hotel das Lojas eles estão no painel. Os relatórios de vendas por período mostram o desempenho do mês, e você pode exportar planilhas de pedidos em CSV para montar a classificação. O cadastro de produtos aceita SKU, variações e estoque por variação, e o controle de estoque com estoque mínimo ajuda a proteger os itens A contra ruptura.

Na hora de agir, os recursos acompanham a estratégia. Os kits de produtos com preço próprio transformam itens C em ofertas atraentes, o aplicativo compre junto sugere combinações com desconto e as promoções automáticas como leve X pague Y ajudam a girar o estoque parado. Para atualizar preços de muitos produtos de uma vez, a importação por planilha economiza horas, e quem usa ERP pode integrar o Olist Tiny para estoque e pedidos.

Na vitrine, o editor visual permite reorganizar a página inicial em minutos, colocando os produtos A de maior margem em destaque. Temas criados para alimentos, como o tema Empório para cafés e cestas, já trazem blocos de vitrine e banners pensados para valorizar os itens principais. E, sem comissão sobre as vendas, cada ganho de margem que a curva ABC revela fica com você.

Conclusão: foco no que sustenta a loja

A curva ABC de produtos tira a gestão do campo da impressão e coloca no campo dos números. Com uma planilha e alguns meses de vendas, você descobre quais itens sustentam o lucro, quais vendem muito e deixam pouco e quais estão apenas ocupando espaço e dinheiro. A partir daí, compras, preços, kits e vitrine passam a seguir uma lógica clara.

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Perguntas frequentes

O que é curva ABC de produtos?

É uma classificação que separa os produtos em três grupos conforme a importância para o resultado da loja. A classe A reúne poucos itens que geram a maior parte do faturamento ou do lucro, a B tem importância intermediária e a C reúne muitos itens que contribuem pouco.

Curva ABC deve ser feita por faturamento ou por lucro?

As duas são úteis, mas a curva por lucro, ou margem de contribuição, mostra quais produtos realmente sustentam o negócio. Um item pode vender muito e deixar pouco dinheiro. Fazer as duas e comparar revela produtos que precisam de ajuste de preço ou custo.

Com que frequência atualizar a curva ABC?

Para a maioria das lojas, uma atualização mensal ou trimestral é suficiente. Lojas com muita sazonalidade, como moda ou presentes, ganham ao refazer a análise antes de cada estação ou data comemorativa importante.

O que fazer com os produtos da curva C?

Avalie um a um. Alguns ajudam a compor o mix e merecem continuar; outros podem virar kits, entrar em promoções para girar o estoque ou deixar de ser recomprados. O importante é não manter capital parado em itens que não contribuem.

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Marcelo Falcão, CEO Hotel das Lojas

Escrito por

CEO Hotel das Lojas

Marcelo Falcão é CEO do Hotel das Lojas, plataforma brasileira de lojas virtuais, e tem 13 anos de experiência com vendas pela internet e plataformas de e-commerce. Acompanha de perto o dia a dia de milhares de lojistas e escreve sobre como criar, gerenciar e fazer crescer um e-commerce: da escolha do tema à primeira venda, de pagamentos e frete a marketing, SEO e marketplaces.

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