Precificar os primeiros produtos da loja virtual sem prejuízo
Copiar o preço do concorrente ou multiplicar o custo por dois é o jeito mais rápido de vender no prejuízo. Veja uma fórmula simples, com exemplo completo, para precificar a loja nova.
Neste artigo
- Por que precificar os primeiros produtos é diferente
- Os componentes do preço de venda
- Exemplo completo, passo a passo
- Frete grátis, Pix e parcelamento dentro do preço
- Como testar e ajustar o preço depois do lançamento
- Aumentando o ticket médio em vez de baixar o preço
- Posicionamento: o preço também comunica
- Erros comuns ao precificar a loja nova
- Como o Hotel das Lojas ajuda na precificação
- Conclusão: preço é conta, não palpite
A loja está quase pronta, as fotos estão bonitas e chega a hora de preencher o campo de preço. É aí que muita gente trava ou, pior, chuta. Olha o concorrente, tira cinco reais, multiplica o custo por dois e segue em frente. Meses depois, a loja vende bem e o dinheiro não aparece. Precificar os primeiros produtos com método é o que separa uma loja que cresce de uma loja que trabalha muito para pagar as próprias contas.
Aqui no Hotel das Lojas, quando analisamos a operação de lojistas que reclamam de margem apertada, o problema raramente está nas vendas. Está em custos que nunca entraram no preço: a taxa do cartão parcelado, a embalagem bonita, o frete grátis prometido no Instagram, o anúncio impulsionado.
Neste artigo você vai aprender uma fórmula simples, que cabe numa planilha, com um exemplo completo do começo ao fim. Também vai ver como testar o preço depois do lançamento e quais armadilhas evitar nos primeiros meses.
Por que precificar os primeiros produtos é diferente
Na loja nova você ainda não tem histórico. Não sabe quantos pedidos vai fazer por mês, qual meio de pagamento os clientes vão preferir nem qual será o ticket médio. Isso não é desculpa para chutar; é motivo para trabalhar com estimativas conservadoras e revisar depois de algumas semanas.
Três particularidades do início merecem atenção:
- Volume baixo: os custos fixos se dividem entre poucos pedidos, então cada pedido carrega uma fatia maior.
- Compra de fornecedor em pequena quantidade: o custo unitário costuma ser mais alto que o de lojas estabelecidas.
- Gasto com divulgação: sem clientela formada, o investimento para atrair cada comprador é maior.
Por isso, o preço que funciona para uma loja grande nem sempre funciona para a sua. Copiar o concorrente é copiar uma estrutura de custos que não é a sua.
Os componentes do preço de venda
Antes da fórmula, separe os custos em três grupos. Essa separação é o coração do método.
Custos diretos, em reais
Tudo o que sai do seu bolso por causa de uma unidade vendida: o custo do produto (ou da matéria-prima e mão de obra, se você fabrica), a embalagem, a etiqueta, o cartão de agradecimento, a fita, o papel de seda.
Custos fixos rateados, em reais
O que você paga todo mês, vendendo ou não: plano da loja, internet, contador, aluguel do espaço, ferramentas. Divida o total pelo número de pedidos que você espera fazer no mês. Esse é o custo fixo por pedido.
Custos percentuais
Os que crescem junto com o preço: taxa do meio de pagamento, impostos proporcionais ao faturamento (quando o seu regime cobra assim), comissão de marketplace quando houver, e a verba de marketing que você decidir reservar. A margem de lucro também entra aqui, como percentual.
A fórmula: preço que cobre tudo e ainda dá lucro
Com os três grupos separados, a conta é esta:
Preço = (custos diretos + custo fixo por pedido) ÷ (1 − soma dos percentuais)
Por que dividir em vez de somar? Porque os percentuais incidem sobre o preço final, não sobre o custo. Se você somar 20% em cima do custo, a taxa do cartão e o imposto, que são calculados sobre o preço de venda, vão comer parte dessa margem. A divisão resolve isso.
Exemplo completo, passo a passo
Vamos a um exemplo ilustrativo, com números hipotéticos, de uma loja de canecas artesanais.
- Custos diretos: a caneca custa R$ 28,00 para produzir. Embalagem com papel e caixa, R$ 4,00. Cartão e adesivo, R$ 1,00. Total: R$ 33,00.
- Custos fixos: plano da loja, internet, contador e ferramentas somam, por exemplo, R$ 480,00 por mês. A meta inicial é de 60 pedidos por mês. Custo fixo por pedido: R$ 8,00.
- Percentuais: taxa média de pagamento de 5%, imposto de 6% (se o seu regime cobra sobre o faturamento), marketing de 8% e margem desejada de 20%. Soma: 39%.
- Divisor: 1 − 0,39 = 0,61.
- Preço mínimo: (33 + 8) ÷ 0,61 = R$ 67,21. Arredondando para um preço comercial, R$ 67,90.
Agora confira se a conta fecha com o preço arredondado:
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço de venda | R$ 67,90 |
| Taxa de pagamento (5%) | R$ 3,40 |
| Imposto (6%) | R$ 4,07 |
| Marketing (8%) | R$ 5,43 |
| Custos diretos | R$ 33,00 |
| Custo fixo por pedido | R$ 8,00 |
| Lucro | R$ 14,00 (cerca de 20,6%) |
Compare com o método de multiplicar por dois: R$ 28,00 × 2 = R$ 56,00. Com todos os custos descontados, sobraria menos de R$ 5,00 por caneca, e qualquer cupom transformaria a venda em prejuízo.
Conselho de quem acompanha muita loja começando: coloque a fórmula numa planilha com uma linha por produto. Quando o fornecedor reajustar ou a taxa mudar, você atualiza uma célula e enxerga na hora quais preços precisam subir.
Frete grátis, Pix e parcelamento dentro do preço
Três decisões comerciais mexem diretamente na conta e precisam ser pensadas antes de publicar.
Frete grátis
Frete grátis não existe: alguém paga. Se a loja vai oferecer, calcule o custo médio de envio para as regiões atendidas e some aos custos diretos. Uma alternativa mais saudável é liberar o frete grátis só acima de um valor de pedido, ou só para algumas regiões. No Hotel das Lojas você monta isso com o frete por CEP com tabela própria, definindo valor e prazo por faixa. Para descobrir o custo real de cada envio, o aplicativo do Melhor Envio para comparar transportadoras ajuda a estimar com precisão.
Desconto no Pix
Oferecer um desconto no Pix é comum e faz sentido, porque a taxa costuma ser menor e o dinheiro entra mais rápido. Só confira se a margem continua positiva: no exemplo, 5% de desconto tiraria cerca de R$ 3,40 do preço, mas parte disso volta pela taxa menor.
Parcelamento sem juros
Quando a loja assume o parcelamento sem juros, o custo financeiro sobe. Use a taxa média ponderada dos meios de pagamento na fórmula, ou limite o parcelamento sem juros a pedidos acima de determinado valor.
Como testar e ajustar o preço depois do lançamento
O preço inicial é uma hipótese. Depois de algumas semanas de vendas, você terá dados reais para revisar. Um roteiro de revisão mensal:
- Confira quantos pedidos a loja realmente fez e recalcule o custo fixo por pedido.
- Veja qual meio de pagamento predominou e ajuste a taxa média.
- Calcule o ticket médio. Se for maior que o preço de um produto, os clientes estão levando mais de um item, e o custo de frete por item cai.
- Compare a margem real com a planejada, produto a produto.
- Identifique produtos com muitas visitas e poucas vendas. Às vezes o problema é preço; às vezes é foto ou descrição.
A tela inicial do painel mostra faturamento, pedidos e ticket médio, e o tutorial da tela Início do painel explica onde está cada número.
Aumentando o ticket médio em vez de baixar o preço
Quando o preço calculado parece alto para o mercado, a tentação é cortar a margem. Antes disso, tente fazer o cliente levar mais por pedido. Cada item a mais dilui o custo fixo, o frete e a embalagem.
- Kits: duas canecas com preço próprio, um pouco abaixo da soma das unidades. Veja como montar em kits de produtos com preço próprio.
- Compre junto: sugerir o pires que combina com a caneca, com pequeno desconto, usando o aplicativo de compre junto com desconto.
- Brinde por valor: um brinde de baixo custo para pedidos acima de um valor, com o brinde por valor do pedido.
- Promoções automáticas: leve três, pague dois, ou desconto progressivo. O tutorial de promoções automáticas por quantidade mostra como configurar.
Em todos os casos, rode a fórmula para o kit ou para o pedido com promoção. Desconto bom é desconto que ainda deixa lucro.
Posicionamento: o preço também comunica
A fórmula entrega o preço mínimo, mas não necessariamente o preço ideal. Entre o mínimo e o máximo que o cliente aceita pagar existe uma faixa, e a sua posição nela depende de como você apresenta o produto. Uma caneca feita à mão, com história do ateliê, embalagem caprichada e fotos de uso, sustenta um preço maior que uma caneca de catálogo com foto de fornecedor.
Alguns cuidados ajudam a definir onde ficar nessa faixa:
- Pesquise sem copiar: anote o preço de cinco concorrentes e compare o que cada um entrega em foto, prazo, embalagem e atendimento.
- Use finais comerciais com coerência: preços terminados em 90 ou 99 funcionam bem no varejo, mas evite misturar vários estilos na mesma vitrine.
- Crie uma escada de preços: ter um produto de entrada, um intermediário e um mais caro ajuda o cliente a comparar e muitas vezes puxa a escolha para o meio.
- Teste em pequenos passos: se a conta mostrou que dá para subir, aumente aos poucos e acompanhe a conversão por duas ou três semanas antes de mexer de novo.
Um exemplo ilustrativo: se a fórmula indicou R$ 67,90 e os concorrentes com entrega parecida vendem entre R$ 69,90 e R$ 79,90, você tem espaço para testar R$ 72,90 sem parecer fora do mercado, ganhando margem para financiar cupons e anúncios.
Erros comuns ao precificar a loja nova
- Esquecer a embalagem e os pequenos itens que vão na caixa.
- Não colocar o próprio salário na conta. O pró-labore é custo fixo, não sobra.
- Somar a margem sobre o custo em vez de usar a divisão.
- Criar cupons sem limite de uso ou de validade, que viram desconto permanente.
- Preço igual para produtos com custos muito diferentes só para a vitrine parecer organizada.
- Nunca revisar o preço depois do reajuste do fornecedor.
Como o Hotel das Lojas ajuda na precificação
A plataforma tem uma característica que simplifica muito a fórmula: plano único de R$ 59,90 por mês e nenhuma comissão sobre as vendas. Isso significa que o custo da loja entra como custo fixo previsível, e não como mais um percentual mordendo cada pedido. Quanto mais você vende, menor fica o peso dele.
Além disso, você tem no mesmo painel tudo o que precisa para trabalhar o preço com inteligência:
- Promoções automáticas, kits, compre junto, brindes e cupons de desconto com regras para aumentar o ticket sem destruir a margem.
- Relatórios de faturamento, pedidos e ticket médio para revisar a conta todo mês.
- Tabelas de frete próprias, frete grátis por região e integração com transportadoras para conhecer o custo real de envio.
- Produtos com variações e SKU, o que permite preços diferentes para tamanhos e acabamentos diferentes.
E a apresentação também ajuda a sustentar o preço. Uma confeitaria com produtos de valor agregado, por exemplo, pode usar o tema Doceria para doces finos, que transmite cuidado e justifica um preço acima do comum. Conheça todos os recursos da plataforma para ver o que mais se aplica ao seu negócio.
Conclusão: preço é conta, não palpite
Precificar os primeiros produtos não precisa ser um mistério. Separe custos diretos, custos fixos por pedido e percentuais, aplique a divisão e confira se o preço arredondado ainda deixa a margem planejada. Depois do lançamento, revise todo mês com os números reais e prefira aumentar o ticket médio a cortar a margem.
Com a planilha pronta, é hora de colocar os preços na vitrine. Crie sua loja no Hotel das Lojas com 7 dias de teste grátis, sem cartão de crédito, cadastre os produtos com os preços calculados e venda sabendo exatamente quanto sobra em cada pedido.
Perguntas frequentes
Como calcular o preço de venda de um produto na loja virtual?
Some o custo do produto, a embalagem e a parte dos custos fixos que cabe a cada pedido. Depois divida esse total por um menos a soma dos percentuais de taxa de pagamento, impostos, marketing e margem desejada. O resultado é o preço mínimo que cobre tudo e ainda deixa o lucro planejado.
Posso simplesmente multiplicar o custo por dois?
Pode funcionar para alguns produtos, mas é arriscado. Multiplicar por dois ignora taxas, frete grátis, embalagem e custos fixos, que mudam muito de produto para produto. Em itens baratos, por exemplo, o custo da embalagem e da taxa pode consumir quase toda a margem.
Devo cobrar mais barato que o concorrente para começar?
Começar mais barato só faz sentido se a sua conta mostrar que ainda existe lucro. Em vez de baixar preço, prefira oferecer vantagens com custo controlado, como cupom de primeira compra, brinde ou frete grátis acima de um valor.
Como incluir o frete grátis no preço do produto?
Calcule o custo médio de envio para as regiões em que o frete será grátis e some esse valor ao custo do produto antes de aplicar a fórmula. Outra opção é liberar o frete grátis só acima de um valor de pedido, o que aumenta o ticket médio e dilui o custo.
Escrito por
CEO Hotel das Lojas
Marcelo Falcão é CEO do Hotel das Lojas, plataforma brasileira de lojas virtuais, e tem 13 anos de experiência com vendas pela internet e plataformas de e-commerce. Acompanha de perto o dia a dia de milhares de lojistas e escreve sobre como criar, gerenciar e fazer crescer um e-commerce: da escolha do tema à primeira venda, de pagamentos e frete a marketing, SEO e marketplaces.
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